Eu vou contar pra vocês uma história de como a vida é cheia de surpresas e como aprendemos a valorizar aqueles que estão ao nosso lado as vezes só quando os perdemos. Uma história de quem supera qualquer dificuldade e busca achar o amor verdadeiro.
Eu sou um usuário de computadores clássico. Não sou desses tipos alternativos que gostam de moda, design e Mac. Sou um cara rústico, metódico e tradicional. Sou um usuário Linux.
Desde cedo me apaixonei pelo Ubuntu e com ela formei um sólido relacionamento durante anos. Durante esses tempo aprendemos a nos respeitar, entender as nossas limitações e aceitar as nossas diferenças. É claro que também tinhamos problemas. As vezes não nos entendiamos… eu dizia:
$cat 1textA | tr "zvnwshrmxgpdkqbjctfl" "a-z" | tr " " "\n" | sort -u | tr "\n" " " | tr "a-z" "zvnwshrmxgpdkqbjctfl"
e ela não me entendia.
Mas nosso relacionamente era bem firme e tudo fazia parecer que seria um casamento bem sólido e duradouro, até que um dia tudo mudou. Vi na capa de uma revista uma tal de Gnome3 e, dai em diante nunca mais fui o mesmo…
Aquelas curvas não saiam da minha cabeça. Aquela interface rápida e prática me deixava super exitado. Parecia que tinha achado o SO perfeito. O Gnome3 parecia ser um SO sem frescuras, que satisfaria o usuário de uma forma como nunca antes um SO satisfez um usuário antes.
Como esse Gnome3 não saia da minha cabeça resolvi conversar com o Ubuntu sobre isso e perguntar se ela se propunha a tentar o Gnome3 comigo. Mas o Ubuntu não quis, disse que não é sistema operacinal de fazer esse tipo de coisa e por ai foi…
Pensei que como tempo eu ia desistir disso, que ia esquecer e seguir em frente, mas a vontade de experimentar o Gnome3 não parava de crescer. Quando o Ubuntu viu que eu estava me afastando cada dia mais, ela resolveu me propor uma alternativa, o Unity. E não preciso dizer que esse foi o motivo do fim do nosso relacionamento. Como depois de anos de relacionamento sério o Ubuntu vira pra mim e diz que se quiser inovar vou ter que me contentar com o Unity? Como diante do Gnome3 ela quer que eu me acostume com uma interface que não passa de uma imitação parcial, grosseira e bugada como essa? Terminamos.
Então uma noite em casa, sozinho, estava sem fazer nada e resolvi ir num lugar diferente, um lugar chamado http://gnome3.org/ e lá conheci duas SO bem interessantes que fiquei conversando, trocando uma ideia e conhecendo. Elas se chamavam SuSe e Fedora. Depois de algum tempo que estava conversando com elas resolvi partir com tudo pra cima da SuSe porque eu vi que ela funcionava sob a arquitetura amd64 e eu adoro SOs que funcionam sob essa estrutura.
Levei ela pra casa pronto pra colocar ela no meu note. Logo nas preliminares, instalação, fui quase as alturas. Um SO sem frescuras, decidido. Sabia muito bem o que queria e o que precizava fazer para me satisfazer na instalação em poucos passos. Ai comecei a mexer na SuSe com toda a vontade e desejo que estava guardando a um tempão. Fui ao ceu. Foi a noite inteira em claro. Passando o mouse pra cima e pra baixo, abrindo e fechando as telas e usando todos os recursos dela. Fui durmir acabado, esgotado, mas com um sorrizo de ponta a ponta me sentindo o usuário mais feliz desse mundo.
No entanto, já no dia seguinte, de manhã, tive meus primeiros problemas com a SuSe. Ela veio toda cheia de paranoia, travando o Xorg e tivemos a nossa primeira briga. Tentei conversar com ela, reconfigurar e concertar esse problema do Xorg mas nada deu certo. No final tive que esperar uns dias e reinstalar tudo do zero.
Apesar desses problemas e do fato d’eu descobrir que não posso confiar na atualização automática da SuSe, até que tivemos um relacionamento estável. Tínha alguns problemas com relação a ele principalmente com relação aos seus gostos. Ela gostava de rpm. Sério, que coisa ultrapassada. Diante de tanta coisa melhor por ai ela diz que só gosta de RPM?! Muito estranho. Se fosse Legião Urbana pelo menos…
Outro grande problema que tinha com ela era colocar algo na cabela dela..Instalar algo pelo pelo sistema de pacote de dados, o Yard2. Nunca me envolvido com um sistema tão burro. Eu que estava acostumado ao desempenho do Apt e do Aptitude na Ubuntu, não conseguia aceitar uma interface tão idiota quanto o YaST2. Depois de muito tempo descobri alguns macetes e truques pra conseguir colocar programas dentro da SuSe, mas era sempre com muita dificuldade que fazia isso. Somando isso tudo e um bocado de outros problemas, bugs, eu e a SuSe não conseguimos durar muito tempo. Havia muito desejo mas não havia compatibilidade entre a gente, saca?!
Depois do meu fim com a SuSe resolvi procurar a Fedora pra ver se com ela eu conseguiria achar o SO da minha vida. Com a Fedora diferente dos outros SO, ela é garota de família. Seu pai é um grande empresário: Doutor Red Hat. Esperava encontrar no Fedora um sistema operacional de qualidade construído com o bom e melhor do Linux.
O começo do meu relacionamento com Fedora foi ótimo, mas confessor que estava um pouco preocupado como seria nosso relacionamento com o tempo… já havia sofrido muito com a SuSe e não estava disposto a me entregar tão rápido assim pra me machucar depois.
Com o tempo e depois de algumas conversas e atualizações percebi que a Fedora era um SO bem mais estável que a SuSe. Não tive nenhum problema com suas atualizações. Ela sempre se mostrou muito capaz disso.. No entanto, a medida que nosso relacionamento foi progredindo percebi que a Fedora era muito mais fresca que a SuSe no quesito compatibilidade de softwares e simplismente não achava drivers pra ela ou os programas que estava acostumado a usar. A Fedora era um bom SO, mas eu sou um cara simples, não consiguiria me acostumar a ideia de me envolver com um sistema filho de um Red Hat criado cheio de frescuras e nhenhenhe.
E foi o fim do meu relacionamento com a Fedora.
Fiquei um bom tempo sem me envolver com ninguém. Sozinho, desiludido, ficava só no Windows…
Mas a vida é cheia de surpresas e reviravoltas. Eu estava outro dia mexendo nos meus backups quando achei uma imagem do Ubuntu no meus arquivos. Fiquei olhando pra ela um tempão lembrando dos bons e velhos tempos… Apesar d’eu ter abandonado ela, eu era muito feliz. O Ubuntu me entendia como nenhum outra distribuição do Linux me entendia. Me completava como nunca consegui com outro SO…
Procurei a Ubuntu, pedi minhas desculpas e voltamos. Depois de muito rodar descobri que ela é o SO da minha vida. Com ela espero poder viver o resto dos meus dias e ser muito feliz.
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Parabéns Chico! Esse foi, de longe, um dos melhores textos que você já escreveu! *chorando de rir!*
Adorei a parte do RPM e da filha do Red Hat! KKKKKK
WTF is Yard2? YaST(2) ?
Muito bom o post! Só alguns errinhos de portugues(again).
E o RPM não é “velho”.. E o Debian e o Redhat parece que surgiram na mesma época.
ah cara… licença poética. pro trocadilho funcionar tinha que ser assim.
Ops! Erro consertado. vlw
Keep it Simple Stupid… Slackware!
Meu anjo ficou simplesmente fantástico. Vc tem toda licença do mundo para cometer erros de ortografia e gramática. Amei! *u*